Tuesday, April 20, 2010

Enredo Nascente

Quando gosto, gosto em silêncio.
Admiro a beleza como um mistério ou uma paisagem,
e que me assusta o cansaço de ter que atravessa o mar
a nado, e me fadiga escalar os montes e chegar ao horizonte
tão alto quanto o céu decorado em tons alaranjados.

Quando sinto algo bom, de certo há de ser errado.
Pois amor ou desejo nos nós do enredo é uma arte.

Sabe deus como quis amar,
e subir no tablado louco para sorrir e chorar,
e me perder na saia e na boca da atriz,
mentir e tramar destinos falsos,
e por fim ser salvo por um final feliz.

Sabê-la qual a arte de viver.
As vezes sei bem para onde ir,
até que as tranças dos teus cabelos me enredam em segredos
que amedrontam meu disfarce e meu silêncio,
que desesperam minha boca e aflito e atento
me ponho a escrever.
Ora pois, o que há de se dizer?

Gosto tanto de não saber,
que desejo não saber o final das histórias,
preciso esquecer o revés do amor.
Preciso com todas as forças
amar o beijo e ser menos atento aos receios.

As vezes não explico tudo que falo,
mas em minhas palavras há um desespero
apaixonado, um personagem meio inventado,
um roteiro mal escrito em rascunhos apagados,

Inacabado.

Vicent

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