Saturday, November 20, 2010

Canções para Ieda

Calo-me em seus suspiros.
No colo da lua, repousa sob tú, acalantos,
repousa a poeira no breu do terceiro vagão.
Repousam todos sós.

Abrigo o silêncio da noite em silêncio.
Não devem e não precisam me ouvir.
Ouço-te, nada mais que uma voz.
Penso na noite, posso voltar.

Pesso que não me responda, leve-me apenas as folhas.
Leve-me um anel, de bom grado,
boa senhora.
Devem desejar tuas mãos bem vestidas.

À noite, deixo o fado dos grilos.
Às água do rio, o silêncio da noite,
Aos acalantos, nada vai importar.

Vicent

Tuesday, April 20, 2010

O que é o Amor?

Gostaria apenas por um dia saber explicar
o que é o amor, assim talvez eu saiba
dizer a todos o que sinto e que é indefinido,
e que é uma certeza tal a vontade de estar
junto a você, mesmo depois da vida.
Está talvez estrada do amor que se entrega.

vida que de tanta ausência já me basta.

E que com toda certeza, tal sentimento,
seja milagre ou descrença tal o amor que sinto,
e que assim como a verdade, algo que não engana,
seja apenas conseqüência que se vive tal qual se anseia.
Preciso explicar o amor pois não me acreditam
de forma alguma que é amor o que sinto.

E que tenho certeza que mesmo após tantos
anos da tua ausência eu te veria, beijar-te-ia
a mão, trêmulo e acometido de medo, sem se quer
esquecer de dizer que te amo.

Sempre te amei.

Contudo, eu que busco na poesia explicar
a quem queira ler o amor que sinto
em tudo que penso e não vejo solução.
Nestas eu imprimo sem medo a palavra amor,
verso após verso, talvez seja tu minha
inspiração, verdade que me sangra a poesia.

Que me disseram ser amor,
que digo a todos que é eterno,
que não vi a exata hora da partida,
mas que com a saudade fez poeta e poesia.

Gostaria apenas por um dia saber explicar
o que é o amor, assim talvez me acreditem
ao ver meu rosto ensopado de lágrimas,
meu violão mais pensativo que melódico.
Assim talvez, por deus, entendam que é dor
maior que há de se sentir, meu amor.
E que por amor irão a ti, dizer que é verdade.
Amor maior que ficaste.

A menos que me provem o que é o amor
e que com toda razão, me convença.
Nunca deixarei que digam, que és química,
ilusão ou mentira o amor que sinto
e de tanta imensidão, o verso desatina.


Vicent

2h

2h da madrugada.
Deito-me sobre um telhado
numa noite fria, sujo
e largado como um gato.

Os porcos estão dormindo
e confinados.
Os cães dormem, porém
sempre atentos.

Relâmpagos estouram numa
imensidão negra.
Eu busco uma janela
onde possa entrar,

Os cães ladram.
Os ladrões correm.
Sirenes dobram a esquina.
Não há quem acorde.

Deito-me nu, numa cama
vazia, em meio a molduras
sem telas.

A rua amanhece só.
Vou pulando muros
e telhados, enfim chego ao lar.

Onde repouso,
esquecido e nu.

Vicent

Telhados, janelas, cigarros e fumaça

Canto do Maldito

Estou frio e destraído.
Das ruas, apenas latidos.
Estou escondido e só.
Como um gato espreito.

Um céu descrente deita
novamente sobre a pouca
fé que me resta.
Como um gato vira-lata.

Noite frias, de vinho
e solidão.
A fé que me resta talvez
seja um cigarro ou
um barato qualquer.

5 cigarros.
Falta pouco para o fim
do maço, talvez tenha
uns trocados.

4 cigarros.
Estou faminto e só.
Esta sede miserável.
Água suja.
Gatos vira-latas.

Telhados, janelas,
cigarros e fumaça.

Vicent

Palavra de Poeta

Sei, antes de tudo que não posso te dar
o sol e a lua como te dariam os poetas.
E que não posso te velar o sono e pranto,
tal meu amor que nunca descansa,
e que me persegue o sono levando embora
a noite que sempre me seduz a te procurar
e com anéis e rosas te pedir mão.

Nas noites de frio aqueço a alma
com cafés e cigarros, repousado em uma rede
aquecida por um céu estrelado.
Eu espectador do tempo grudo os olhos na noite
à espera de ti, estrela cadente
a quem anseio o desejo de acompanhar e viajar
por onde for, anos luz na luz do teu amor.

Sei, que com o que tenho não posso ao menos
te dar o mar, tal o santuário de Iemanjá.
E que não posso sequer pedir a Deus uma
fração do teu amor, pois metade de mim
é o que ama mas outra metade é o pecado
e o pecador.

E mesmo que venha a morte e os demônios
me condenar o pecado, eu vou até você
com tulipas, músicas e poesias pedir-te
a atenção, um sorriso e um beijo.
Com o pouco que tenho, vou oferecer-te
um lugar à rede, o sabor do café
e o aroma do orvalho.

Minha casa fica por aí.
Mas irei contigo onde for tua morada.
E mesmo que não possa te oferecer as respostas
como os cientistas, religiões e sábios te responderiam
mistérios, vou ofecer-te o que mais guardei aqui.

Somente a você,
vou oferecer minha sinceridade.
Quero dizer que te amo e que me amedronta
teu olhar que és tão lindo e claro,
que me atormenta teus cabelos que são
longos e perfumados, e que és doce tua voz
que me embala o sonho de ouvir-te falar
em tudo que falas, ouço-te mesmo meio avoado.

Para você e somente pra você,
serei poeta e nas paredes da tua sala
irei decorar a pintura com estrelas
satélites e planetas.

Para você, apenas para você
serei navegante e nas praias por onde
andares irei navegar contigo até onde
for preciso, para te dar o sol, a lua
e o mar, nas águas de Iemanjá.

Apenas por você,
vou pecar todo santo dia e pedir a Deus
ao menos mais um dia, dia-a-dia recolhendo
as pedras do caminho, para que onde quer
que você esteja a estrada não seja tão dura,
quanto as pedras e os espinhos que me sangram os pés.

De tanto amor que te amo.

Vicent

Enredo Nascente

Quando gosto, gosto em silêncio.
Admiro a beleza como um mistério ou uma paisagem,
e que me assusta o cansaço de ter que atravessa o mar
a nado, e me fadiga escalar os montes e chegar ao horizonte
tão alto quanto o céu decorado em tons alaranjados.

Quando sinto algo bom, de certo há de ser errado.
Pois amor ou desejo nos nós do enredo é uma arte.

Sabe deus como quis amar,
e subir no tablado louco para sorrir e chorar,
e me perder na saia e na boca da atriz,
mentir e tramar destinos falsos,
e por fim ser salvo por um final feliz.

Sabê-la qual a arte de viver.
As vezes sei bem para onde ir,
até que as tranças dos teus cabelos me enredam em segredos
que amedrontam meu disfarce e meu silêncio,
que desesperam minha boca e aflito e atento
me ponho a escrever.
Ora pois, o que há de se dizer?

Gosto tanto de não saber,
que desejo não saber o final das histórias,
preciso esquecer o revés do amor.
Preciso com todas as forças
amar o beijo e ser menos atento aos receios.

As vezes não explico tudo que falo,
mas em minhas palavras há um desespero
apaixonado, um personagem meio inventado,
um roteiro mal escrito em rascunhos apagados,

Inacabado.

Vicent