Tuesday, April 20, 2010

Algumas palavras

Preciso por toda angústia que sinto neste momento
escrever-te, escrevo-te desconhecendo o verdadeiro
sentido das palavras que irei empregar.
Vejo nas palavras uma beleza misteriosa,
tão misteriosas e tão pessoais que antecipo algo.
Não sei se deverás sou nelas verdadeiro
ou se me roubam a verdade.

Como sempre falo sobre a noite,
momento o qual acolhe o repouso destas.
Noite que já vem se despedir
destes olhos grudados na escuridão pelos vidros
de uma janela, mirante da noite,
da lua e das estrelas, porta aberta para
o anímico das ruas e repouso dos braços
aos banhos de sol e tragos de cigarros.

Maldito amor que me persegue sempre que há
sua ausência, malditas palavras que nos vendem
e enganam ouvidos que tentam decifrar-me.
Maldito olhar, manso e molhado que se mostra
apenas a afluentes.
Peito inundado de chuvas que chegam e nunca
vão, e que corre em solidão.

Rio que corre, sabe lá para a morte e poluição.
Rio que corre, sabe lá para o mar e a imensidão.
Rio que corre sabe lá para onde que chega a se perder.

Por fim, guardo estas palavras numa carta,
e escondo como segredo em um garrafa,
atiro-a aos braços do rio e deixo que siga
teu caminho, ao encontro de uma praia,
à caminho de outra solidão, ao fundo do rio
ou de volta às minhas mãos.

Vicent

No comments: