Sei, antes de tudo que não posso te dar
o sol e a lua como te dariam os poetas.
E que não posso te velar o sono e pranto,
tal meu amor que nunca descansa,
e que me persegue o sono levando embora
a noite que sempre me seduz a te procurar
e com anéis e rosas te pedir mão.
Nas noites de frio aqueço a alma
com cafés e cigarros, repousado em uma rede
aquecida por um céu estrelado.
Eu espectador do tempo grudo os olhos na noite
à espera de ti, estrela cadente
a quem anseio o desejo de acompanhar e viajar
por onde for, anos luz na luz do teu amor.
Sei, que com o que tenho não posso ao menos
te dar o mar, tal o santuário de Iemanjá.
E que não posso sequer pedir a Deus uma
fração do teu amor, pois metade de mim
é o que ama mas outra metade é o pecado
e o pecador.
E mesmo que venha a morte e os demônios
me condenar o pecado, eu vou até você
com tulipas, músicas e poesias pedir-te
a atenção, um sorriso e um beijo.
Com o pouco que tenho, vou oferecer-te
um lugar à rede, o sabor do café
e o aroma do orvalho.
Minha casa fica por aí.
Mas irei contigo onde for tua morada.
E mesmo que não possa te oferecer as respostas
como os cientistas, religiões e sábios te responderiam
mistérios, vou ofecer-te o que mais guardei aqui.
Somente a você,
vou oferecer minha sinceridade.
Quero dizer que te amo e que me amedronta
teu olhar que és tão lindo e claro,
que me atormenta teus cabelos que são
longos e perfumados, e que és doce tua voz
que me embala o sonho de ouvir-te falar
em tudo que falas, ouço-te mesmo meio avoado.
Para você e somente pra você,
serei poeta e nas paredes da tua sala
irei decorar a pintura com estrelas
satélites e planetas.
Para você, apenas para você
serei navegante e nas praias por onde
andares irei navegar contigo até onde
for preciso, para te dar o sol, a lua
e o mar, nas águas de Iemanjá.
Apenas por você,
vou pecar todo santo dia e pedir a Deus
ao menos mais um dia, dia-a-dia recolhendo
as pedras do caminho, para que onde quer
que você esteja a estrada não seja tão dura,
quanto as pedras e os espinhos que me sangram os pés.
De tanto amor que te amo.
Vicent
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